Foto: Raquel Marques
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Foto: Raquel Marques

O Chile este no top 5 dos destinos internacionais mais procurados pelos brasileiros. Tanto pela facilidade em chegar, pelos preços de passagens bem acessíveis (em torno de R$800 ida e volta) e pela oferta de vinícolas de qualidade e atrações urbanas bem tranquilas, atendendo desde crianças, idosos e casais românticos.

Os vinhos tem qualidade indiscutível mesmo e para mim os chilenos tem os vinhos com os aromas mais marcantes. Mas não fui para o Chile para apreciar vinho (por incrível que pareça) . Fui para o Chile para conhecer o deserto mais seco do mundo!

Foto: Dani Corrêa

San Pedro de Atacama é uma cidade com cerca de 3 mil habitantes, na região de Antofagasta, no Norte, que está a 2.400m de altitude e concentra uma legião de turistas mochileiros de todo o mundo. É uma cidade internacional.

Foto: Raquel Marques

Como chegar

Por Santiago (Avião)– Há voos para o Aeroporto de Calama (o mais perto de Atacama) que duram em média 2h e podem ser consultados pelas cias Sky Airline ou Latam e custam entre 34 a 132 dólares, dependendo do dia, horário e se a opção for econômica ou plus.

Chegando em Calama tem vans a todo momento com preços a partir de R$100, o trecho. Dali são mais 1h30 de viagem.

Por Santiago (ônibus) – Uma viagem longa (24 horas de viagem), mas a preferida entre os mochileiros mais aventureiros. Foi esta que escolhi, pois queria apreciar a paisagem, que diga-se de passagem muda pouco a pouco de tom esverdeado para marrom, como cenário Star Wars.

Na rodoviária procure pela Turbus, foi a empresa que usamos para fazer o trajeto até San Pedro. As passagens custam entre R$ 140 a R$ 350 o trecho.

Uma dica – Compre já pela internet para não ter surpresas com os preços. No Chile os valores pela internet costumam ser mais baratos do que no guichê. Nesta história desembolsei quase R$100 a mais do que estava esperando, pois havia consultado o valor on line.

Viagem iniciada e um visual único. O mais surpreendente é pensar que estou atravessando o Chile. Passei por toda a costa e avistei o mar quase todo o tempo todo. Vi o sol ir e depois voltar. A paisagem vai mudando gradativamente e depois de incontáveis paradas em algumas cidades ao longo do caminho chego a San Pedro de Atacama, 24h de estrada depois…

Minha hospedagem já estava certa desde o Brasil. Reservei pelo Booking o Hostel Nuevo Amanecer, localizado en Los Geyseres, 161, Alto Jama, menos de 10 minutos andando até o centro, a Vila.

Muito limpo e organizado, decoração rústica , cama confortável e café da manhã bem servido com suco, geleias, manteiga, pães, leite e café.

Ali seriam 6 dias de hospedagem e 6 dias de passeios pela capital arqueológica chilena e um dos centros de observatório astronômico mais visitados no mundo.

Uma importante observação é que os passeios devem ser feitos com agências especializadas e guias, pois não há muitas indicações para ajudar o turista e se perder no deserto não é nada legal.

Outra observação é que a cidade tem de tudo, mas não tem hospital. O socorro mais próximo está em Calama,  quase 2 horas de San Pedro de Atacama. Portanto, seguro saúde e um kit com seus medicamentos é bem vindo.

Hora do passeio – A oferta de agências é grande demais. A cada canto tem guia oferecendo passeios e agências abertas até tarde para atender tanto turista.

Fiz os passeios com a Colque Tours, que não indico muito não. Tive alguns atrasos, troca de passeios e até uma van atolada sem comunicação com a Vila como história para contar.

Tem agências especializadas em atendimento a brasileiros, agências com pacote de hotel e restaurantes. Tem de tudo. Vale iniciar um dia para andar e pesquisar o que couber no seu bolso.

Foto: Dani Corrêa

O primeiro passeio foi no Valle de la Luna – o passeio começou bem, mas chegando na entrada a tempestade anuncia no céu negro. Engraçado, o deserto mais seco do mundo chovendo. Pois é, os guias começaram a arregalar o olho com os raios e a chuva vindo e eu, brasileira, nascida na terra da garoa, achando aquilo tudo normal. Segundo eles era para fotografar pois era raro e tivemos sorte. Ainda insistimos em seguir até o Vale de la Muerte, mas ali uma avalanche de lama começou descer as montanhas e o que fizemos foi correr de volta. Aventura maior do que a esperada e lida nos blogs, certamente.

Tivemos que voltar, pois nada aconselhável ficar entre raios no meio do nada, né?

O mesmo passeio foi transferido para outro dia.

A cidade realmente não é preparada para a chuva e depois da tempestade, que para mim foi só uma chuva de verão, a cidade virou lama. Todas as casas são de adobe, terra batida, então imagina a lama.

Importante lembrar que alguns passeios foram reestruturados e adaptados naquela semana por conta da chuva.

Foto: Raquel Marques

Dia seguinte, rumo ao Parque Nacional de los Flamencos(Flamingos), unidade de proteção ambiental onde é possível avistar de pertinho os belos e imponentes flamingos. Sua cor rosada se dá pela alimentação, por isso existem uns mais rosados e outros menos.

1 – O passeio foi feito pelo Salar de Atacama. No caminho, uma parada no povoado de Toconao. Um vilarejo histórico construído com pedras e madeira de cactos.

Na chegada a Reserva Nacional nota-se tudo muito bem preparado para o turismo, com pedras demarcando o caminho do turista.

Foto: Raquel Marques
Foto: Dani Corrêa

Todo o parque é puro sal, um sal grosso e escuro. Curioso pois eu já havia visitado desertos de sal na Argentina e todos eram branquinhos. As formações de sal fazem desenhos únicos parecendo amontoados de areia, mas esta formação acontece por conta da evaporação. Bonito de ver! Entre o caminho de sal é possível observar a Laguna Chaxa com os flamingos passeando calmamente, bem acostumados com o turismo.

2 – Próximo passeio – O famoso Valle de la Luna – O passeio mais clássico de San Pedro de Atacama tem duração de meio período e geralmente é feito a tarde para terminar com o pôr do sol. O roteiro é Visita ao Valle de la Muerte y Valle de los Dinosaurios, passamos por lindas dunas onde agências também vendem a prática de esportes radicais como o sandboard, e se encerra o passeio com o Valle de la Luna e o belo pôr do sol de arrepiar com todo aquele clima desértico.

Valor do tour/pessoa – R$42,80  ou 8.000 pesos chilenos, + entrada de R$11 ou 2.000 pesos chilenos

Foto: Raquel Marques

3 –Passeio arqueológico– confesso não ter me animado muito com este passeio no Brasil e depois vi que li pouco sobre ele e este não faz parte dos tours clássicos, mas chegando em San Pedro de Atacama me entusiasmei e fui surpreendida com um ótimo passeio.

Foto: Raquel Marques

É um tour privado para 4 pessoas e conheci um casal de brasileiros lá do Nordeste que também topou a aventura. Fomos, eu, Dani e o casal, Beto e Dani. Gente fina que só eles. Somos amigos até hoje.

Uma guia desbravadora nos conduziu ao passeio com um jipe 4×4. Uma aula particular de história! Passamos por uma fortaleza do século XII em Pukara de Quitor, nas Ruínas de Tulor e no museu Padre le Paige. Que história! Ali estão ruínas que contam como viviam o povo de Pukara. Arquitetura em forma de oca e com adobe para proteção do calor, além de subirmos em um mirante para observar como a cidade era organizada. Tour que vale a pena para quem curte antropologia, arquitetura e história da humanidade.

Valor do tour/pessoa – R$133,70 ou 25.000 pesos chilenos, + entrada de R$16 ou 3.000 pesos chilenos

4 – Salar de Tara– Um tour de dia inteiro saindo 8h manhã e previsão de retorno 17h.

Foto: Raquel Marques

Este é longe. No meio do nada do deserto, sem indicações de placas ou caminhos. Longe mesmo. Horas de van. Mas com monumentos naturais impressionantes. Pedras vulcânicas negras brilham o caminho. Ali a natureza tem várias formas curiosas, pedras gigantes e fotogênicas pois combinam com o azul do céu. Foi o primeiro passeio que começamos a ver vegetação rasteira, pois estávamos subindo a 4.300m de altitude. Segundo relatos, acima de 4.000m começa uma vegetação particular. A vida volta a brotar e nosso oxigênio diminuir, por isso, folha de coca e muita água foi importante para equilibrar o corpo. Qualquer movimento rápido dá tonturas ou náuseas.

5 – Lagunas Altiplánicas–  Miñiques e Miscanti – Um passeio que todas as agências fazem e é realmente incrível visualizar lagoas azuis turquesa a 4 mil metros de altitude. Águas que vem do degelo das montanhas e vulcões que estão ali ao redor. Era verão, mas como havia chovido, as montanhas estavam com o cume branquinhos de neve.

Foto: Raquel Marques

6 – Geiseres del Tatio – eu estava na expectativa deste passeio. Sabia que iria acordar super cedo (4h manhã) e que subiria para 4.200m de altitude em meio a um balé de águas naturais. Estava ansiosa pelas fotos pois sabia que em um período de 2h teria 3 luzes diferentes para registrar. E assim foi o espetáculo.

Foto: Raquel Marques

Sabe que é iniciar o passeio a -5 graus e em poucas horas estar quase 40 graus ? Muita blusa e gorro, mas prepare-se para ir tirando no decorrer do passeio.

6h da manhã, tudo escuro e a paisagem era preta e branca. O dia ia nascendo com uma cor rosada bem viva e em poucos minutos tudo era amarelado. Lindo! Caminhar entre as águas de cerca de 70 graus que dançam para os turistas, foi incrível!

Foto: Raquel Marques

Valor do tour/pessoa – R$96 ou 18.000 pesos chilenos, + entrada de R$ 26,70 ou 5.000 pesos chilenos

No geral –

Todos os passeios são bem estruturados, no sentido de terem água, comida e uns mimos como drinks e mesas temáticas que dão charme ao Deserto do Atacama.

É importante levar e beber muita água durante sua estada na cidade, pois o clima é muito seco e você não percebe que está precisando se hidratar.

Filtro solar, chapéu, boné e óculos escuros são fundamentais.

A cidade possui algumas regras estranhas ou bizarras, por exemplo, é proibido dançar e ficar bêbado. Já viu isso? Pois é verdade. Não tem balada por lá e se começar a “bailar” em algum barzinho ou restaurante será avisado ou mesmo retirado do local se resistir às regras.

Comida– Muito internacional. Muitos restaurantes lindos e rústicos, bem a cara do local. De comida italiana, chilena até a alemã. Tudo muito bem servido e acho que até perdem um pouco do regional do deserto com tanta oferta multicultural, mas fique de olho nos sorvetes artesanais, nos drinques com pisco e nas sobremesas a base de “Rica Rica”, uma plantinha cheirosa típica de lá. Também servem muita carne de alpaca e lhama, além de bases de molhos feitas com palta (abacate). Isso sim é chileno!

O artesanato típico são objetos como porta retrato, por exemplo, feitos de madeira de cactos seco. Traga para o Brasil, mas aqui é bom invernizar, pois a umidade acaba com o artesanato.

Muito artesanato com sal e tecido e repare que existe uma pedra chamada Lápis Lazuli. Esta pedra só tem na Índia, Arábia Saudita e no Chile. Linda!

Obs: o Câmbio foi de 187 pesos chilenos para R$1.

Até a próxima trip !

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